Início / Blog

Visão artificial · 25/09/2026

Carmencita estreia fábrica: controlar a variedade

A Carmencita investe 25 M€ na nova fábrica de Novelda, com mais de 700 referências. O que significa para a rastreabilidade e o controlo no embalamento.

Por Santiago Barrado · TIVOX Solutions ·

Foto: Vietnam Real Estate / Pexels

A Carmencita, empresa espanhola de especiarias e condimentos fundada em Novelda (Alicante) em 1923, colocou em funcionamento o seu novo complexo industrial de Fondonet, no mesmo município. O projeto representou um investimento de 25 milhões de euros e ocupa 27.000 metros quadrados de área construída, com outros 18.000 reservados para futuras ampliações. Desde setembro, todas as áreas de trabalho funcionam já na nova localização, que a 10 de setembro recebeu a visita do presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez.

A fábrica reúne num único local a receção e o tratamento da matéria-prima, a moagem, a mistura, a produção e o embalamento, além de laboratórios de I&D. Segundo a empresa, a modernização incorpora novos níveis de automação, robotização, controlo e rastreabilidade nos processos. Completa-se com uma plataforma logística de mais de 10.000 metros quadrados no Parque Empresarial de Elche. A Carmencita emprega 462 pessoas, trabalha com um catálogo de mais de 700 referências elaboradas a partir de mais de 60 matérias-primas e vende em mais de 80 mercados, no retalho, na restauração e na indústria.

O que significa para uma fábrica de embalamento

O que torna este caso relevante não é apenas a dimensão do investimento, mas a combinação de fatores: um catálogo muito amplo, muitas matérias-primas diferentes e venda em dezenas de países. É um perfil cada vez mais comum na indústria alimentar, e nele a dificuldade está menos na velocidade da linha do que na variedade.

Com centenas de referências, cada mudança de formato ou de receita é um momento de risco: a embalagem certa com o rótulo errado, um lote mal atribuído ou uma data que não fica bem impressa. No produto para exportação somam-se o idioma e os requisitos de rotulagem de cada destino. Se a verificação na linha é visual e manual, este tipo de erro raramente é detetado a tempo e, quando aparece no cliente, costuma acabar numa retirada.

A rastreabilidade, além disso, começa antes do embalamento. Em produtos obtidos por mistura, cada lote de produto acabado depende de vários lotes de matéria-prima. Se essa relação for registada em papel ou em folhas soltas, reconstruir um incidente pode levar dias. Quando se projeta uma fábrica de raiz, é o momento de garantir que cada etapa — receção, moagem, mistura e embalamento — deixa um registo digital que se possa consultar em minutos.

Por último, automatizar e robotizar muda o tipo de problemas. Com menos pessoas junto à linha, há menos olhos que detetem um defeito por acaso. A inspeção tem de estar integrada no próprio processo, e os dados de paragens, rejeições e mudanças de formato devem chegar a quem toma as decisões.

Pontos práticos

  • Verificar cada unidade, não por amostragem: a leitura automática da data, do lote e do código na embalagem, comparada com a ordem de fabrico ativa, é a forma mais fiável de evitar trocas de referências.
  • Não arrancar sem validar a mudança: a linha não deve produzir até que rótulo, embalagem e receita coincidam com o programado.
  • Ligar lotes de entrada e de saída: uma genealogia digital de lotes permite limitar um incidente a lotes concretos, em vez de retirar toda uma produção.
  • Medir as mudanças de formato: com um catálogo amplo, o tempo de mudança pesa muito na eficiência global; registá-lo é o primeiro passo para o reduzir.
  • Prever o crescimento também nos dados: se há área reservada para ampliar, convém que a arquitetura de controlo e de dados aceite novas linhas sem ter de refazer tudo.

O caso da Carmencita ilustra uma tendência clara: os investimentos em fábrica já não se medem apenas em metros quadrados, mas na capacidade de gerir a variedade sem erros. Se está a preparar algo semelhante, falemos.

PartilharLinkedIn

Mais artigos