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Visão artificial · 06/11/2026

ULMA entra na Automach: robôs que também veem

A ULMA Handling Systems compra 30 % da Automach, especialista em robôs guiados por visão. O que significa para quem automatiza o fim de linha.

Por TIVOX Solutions ·

Foto: Freek Wolsink / Pexels

A ULMA Handling Systems, a divisão do grupo espanhol ULMA (Oñati, Guipúscoa) dedicada a sistemas de automação e robotização, entrou no capital da empresa de engenharia Automach, com sede em Álava, com 30 % das ações. Segundo a Alimarket, a operação foi formalizada em agosto, com a publicação no Boletim Oficial do Estado espanhol da mudança de administração, e a ULMA passa a ter assento no conselho sem assumir o controlo. O valor não foi divulgado. As duas empresas trabalham em conjunto desde 2015.

A Automach faz desenvolvimentos robóticos e cobóticos baseados em visão artificial para manipulação, montagem, inspeção e controlo de qualidade, além de máquinas à medida, com clientes nos setores automóvel, aeronáutico, elétrico e eletrónico, dos transportes e da intralogística. Em 2025 faturou 4,3 milhões de euros, com uma média de 27 pessoas. O grupo ULMA fechou esse ano com 1238,9 milhões de euros de faturação e mais de 6000 pessoas. Segundo a Crónica Vasca, a ULMA pretende reforçar a robótica avançada, a visão artificial e a aplicação da inteligência artificial a processos automatizados.

O que significa para uma fábrica de embalagem

Em números a operação é pequena, mas aponta numa direção clara: quem movimenta produto (transportadores, armazéns, paletização) quer ter perto quem sabe fazer um robô ver. Faz sentido. Um robô que pega em caixas, tabuleiros ou embalagens que nem sempre chegam na mesma posição precisa de uma câmara para as localizar. E se já existe uma câmara a olhar para cada peça, pode fazer mais do que guiar a pinça.

Numa linha de embalagem isto traduz-se em perguntas concretas. Se uma célula de fim de linha já usa visão para pegar no produto, pode verificar ao mesmo tempo se o rótulo é o correto, se a data e o lote se leem ou se a caixa vai bem fechada? Cada controlo feito nesse mesmo ponto é menos um posto de inspeção para montar, afinar e manter à parte. Mas é também uma responsabilidade nova: se a câmara que guia o robô decide também o que é rejeitado, é preciso saber quem define os critérios, como são validados e o que acontece com as falsas rejeições.

O segundo ponto são os dados. Uma câmara que inspeciona deixa um registo de cada embalagem: o que viu, o que rejeitou e porquê. Se esse registo fica dentro do equipamento, perde-se metade do seu valor. Ligado aos dados da linha, explica desperdícios e paragens e serve de rastreabilidade perante uma reclamação. Explicamos isto na nossa página de visão artificial.

E o terceiro, o dia a dia. A visão depende da iluminação, dos formatos e das receitas. Numa fábrica com muitas mudanças de referência, alguém da casa tem de poder criar um formato novo sem esperar pelo integrador, e o sistema tem de avisar quando começa a rejeitar mais do que o normal.

Pontos-chave se vai incorporar robôs com visão

  • O que a câmara vê: pergunte se apenas localiza o produto ou se também pode inspecionar rótulo, data, lote ou fecho.
  • Ensaios com as suas embalagens: peça testes com o seu produto real, os seus formatos e os seus piores casos, e não com amostras de catálogo.
  • Falsas rejeições: acorde antes de comprar como se medem e que valor é considerado aceitável.
  • Dados fora do equipamento: garanta que cada leitura e cada rejeição podem ser exportadas ou ligadas por OPC UA, Modbus TCP ou SQL.
  • Mudanças de formato: confirme que a sua equipa pode criar e ajustar receitas sem depender sempre do fornecedor.

Robôs e visão andam cada vez mais juntos, e isso muda a forma como se compra e se mantém uma linha. Se está a preparar algo semelhante, falemos.

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