Início / Blog

Robótica com cobots · 28/10/2026

Mak Food: automatizar antes de contratar

A Mak Food constrói em Molina de Segura uma fábrica que triplica as suas bebidas vegetais e duplica o pessoal. O que automatizar antes de contratar.

Por TIVOX Solutions ·

Foto: Anna Shvets / Pexels

A Mak Food, fabricante de Molina de Segura (Múrcia, Espanha) de blends de frutas e legumes e de bebidas vegetais para a indústria alimentar, já começou a construir uma fábrica nova no parque industrial Hercas, no mesmo município. Segundo o El Confidencial Digital, que cita informação da Murcia Plaza, a unidade ocupará 14 800 m² num terreno de 30 000 m² e a empresa quer concluí-la antes de maio de 2027. Com ela, a capacidade de blends poderá passar de 30 000 para um máximo de 80 000 toneladas, e a de bebidas vegetais (de arroz, aveia, malte e cânhamo) de 6 000 para 18 000 toneladas.

O dado que mais chama a atenção está no pessoal. Hoje são 42 pessoas e a empresa prevê contratar entre 45 e 60 quando a fábrica estiver a funcionar: mais do que duplicar a equipa. A empresa fatura 50 milhões de euros, cresceu mais de 40 % no último ano, vende boa parte da sua produção no Médio Oriente, na Ásia, na América Central e em África, e definiu o objetivo de chegar a 180 milhões de receitas em 2030.

O que significa para uma fábrica de embalagem

Triplicar a produção de bebidas com o dobro das pessoas é um bom problema, mas tem uma armadilha: se cada posto novo for desenhado igual aos atuais, a fábrica cresce em volume e também em tarefas manuais. E encontrar, contratar e formar 50 pessoas não se faz num mês.

Antes de fechar o quadro de pessoal de uma fábrica nova, convém fazer um exercício simples: listar cada posto previsto e separar o que é critério do que é repetição. Paletizar caixas no fim de linha, encaixotar embalagens, alimentar uma máquina com caixas ou filme, ou verificar à vista cada embalagem durante oito horas são tarefas que se podem automatizar e que, além disso, são as mais difíceis de preencher e as que mais baixas geram. Preparar receitas, ajustar a linha numa mudança de formato, resolver uma rejeição ou vigiar a qualidade do produto são trabalho de pessoas, e é aí que os novos colaboradores mais contribuem.

Um cobot de paletização ou de encaixotamento ocupa pouco espaço, trabalha ao lado das pessoas com as proteções definidas pela avaliação de riscos e reprograma-se quando muda o mosaico da palete. Numa fábrica em construção, o mais barato é reservar já o espaço, a alimentação de ar comprimido e os sinais do PLC; acrescentá-lo com a linha já montada sai mais caro.

A segunda frente é o controlo. Vender em mercados tão diferentes costuma trazer rótulos em várias línguas, mais referências e mais mudanças. Com mais volume e pessoas novas, a amostragem fica aquém: uma câmara que leia a data e o lote e verifique o rótulo de cada embalagem impede que o erro de um turno acabe num contentor a caminho de outro continente.

E a terceira, os dados. Se as paragens e os desperdícios forem registados desde o primeiro turno, a fábrica percebe cedo que postos travam a linha e onde compensa automatizar depois. Explicamos com mais detalhe na nossa página de automação e cobots.

Pontos-chave antes de contratar

  • Posto a posto: separe as tarefas repetitivas (paletizar, encaixotar, alimentar, verificar à vista) das que exigem critério.
  • Espaço reservado: deixe lugar, ar e sinais para um cobot, mesmo que não seja comprado no primeiro dia.
  • Controlo a 100 %: data, lote e rótulo em cada embalagem, sobretudo com referências para vários mercados.
  • Formação: prepare as pessoas novas para supervisionar a linha e resolver rejeições, não só para mover caixas.
  • Dados desde o arranque: paragens e desperdícios por posto, para decidir com números o que automatizar a seguir.

Uma fábrica nova é o melhor momento para decidir o que fazem as máquinas e o que fazem as pessoas. Se está a preparar algo semelhante, falemos.

PartilharLinkedIn

Mais artigos